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sábado, 3 de janeiro de 2009

Ano Novo… Objectivos Novos!!

O nosso calendário do atletismo de 2009 tem vários momentos importantes para a marcha portuguesa. Logo em Fevereiro temos o Campeonato Nacional em Vila Nova de Gaia. Depois, a 4 de Abril, teremos mais uma etapa do IAAF Race Walking Challenge, o Grande Prémio de Rio Maior. Nessa altura, estaremos a caminho da Taça da Europa de Marcha, um dos maiores desafios do ano, que decorre na cidade francesa de Metz, em Maio. Ainda neste período teremos algumas competições do circuito mundial, que serão relevantes para fazer marca aos 20kms, mas também para pontuar para a classificãção final.
Finalmente, em Julho, chegará a fase final da época de 2009. Um pouco à imagem das anteriores, teremos os Campeonatos de Portugal, na distância de 10 000 metros, e em Agosto o momento da época: o Campeonato do Mundo de Atletismo, em Berlim.

2008 deixou a sua marca como ano olímpico, mas o segredo do sucesso da vida está na capacidade de traçar novos caminhos. “Vencedor nem sempre é aquele que chega em 1º lugar! … Vencedor é aquele que depois de cair levanta-se e segue!”.
Não tem sido fácil reforçar a motivação para a dureza do treino e da competição dos 20 kms marcha. Até ao final do ano passado deixei o meu corpo recuperar. Tentei reorganizar algumas questões. Agora que estamos a iniciar um novo ano é altura de dar novos passos…
Os meus objectivos dividem-se quase de forma equitativa entre a faculdade e a minha vida de atleta. Apesar do peso desportivo ainda ser grande, a minha vida de estudante tem um peso determinante para o meu sucesso pessoal.
Olho em frente e tento imaginar cada passo a dar… vejo as minhas capacidades como atleta a serem desafiadas pelos 20 anos ao serviço da selecção nacional (com apenas 14 anos tive a primeira internacionalização, numa selecção de juniores em Agosto de 1989). É inevitável um certo desgaste físico, algum cansaço psicológico, algumas rotinas exausta. Segundo quem sabe das ciências do desporto, o meu corpo ainda tem muito para dar e há algo que me mantém no rumo, que me leva à luta, que me faz querer continuar a viver concentrada no alto rendimento: a competição e o prazer de competir!
Amália dizia que cantaria até que a voz lhe doesse. Não quero chegar a tanto, ou seja, competir até que as minhas pernas não possam mais, mas procuro algo especial. Apesar de estar grata por ter tido muitos momentos especiais, como nos mundiais de Helsinquia e Osaka, os JO têm-me mantido nessa procura. Só que para 2012 ainda falta muito e não quero programar nada tão distante. Uma coisa é certa, a maturidade que todo este caminho me deu, e a experiência do sucesso e do insucesso, provocam em mim uma agradável exaltação quando penso em cada passo a dar.
Estou quase pronta para o GP Rio Maior e para conseguir a selecção para o Mundial. Só depois me posso vou deixar “embalar” para Berlim. Será uma disputa renhida porque a marcha feminina portuguesa está na sua maior força de sempre. Tenho muito trabalho pela frente… e gostaria muito de aprender a falar alemão ;)
Feliz Ano de 2009 a todos, em especial boa saúde, porque o resto virá…
Susana Feitor

Análise a 2008 IV - Susana em Discurso Directo

2008… Já lá vai!
Para mim o ano de 2008 não teve propriamente um começo, foi antes uma espécie de continuação de 2007. A motivação e o trabalho que desenvolvemos no final da época de 2007, no Campeonato do Mundo foi de qualidade. Trabalhámos a pensar nos JO Pequim e após um 5º lugar em Osaka fiz questão de me manter concentrada no caminho e no objectivo 2008.
O primeiro trimestre correu como previsto, com bons registos na pista coberta e em 10 kms, mas o mais relevante seria a reconquista do título de campeã nacional de estrada em Fevereiro.


Habitualmente dividimos a época em dois picos de forma e o primeiro seria para atingir na Taça do Mundo na Rússia, em Maio, com uma passagem marcante pelo Grande Prémio de Rio Maior. Apesar de não ter conquistado a vitória na minha terra, a 5 de Abril, fui 2ª com um excelente resultado. Depois uma gripe limitou-me o objectivo de uma classificação no top 8 na Rússia, no entanto a marca de 1h29.38 manteve-me no rumo certo. E o segundo trimestre da época terminou bem com mais um 2º lugar no Challenge da IAAF em Krakow-Polónia.


A parte final da época iniciou-se com um estágio em altitude e até ao objectivo principal ainda teria de competir nos Campeonatos de Portugal e, antes de viajar para Pequim, mais um estágio. Nos 10 000m dos Campeonatos de Portugal fui 4ª. Não contava ficar fora do pódio, mas contava com um registo perto dos 44 minutos e a marca de 44.08.1 deixou-me satisfeita. É que dadas as circunstâncias de selecção da equipa para Pequim, seriam de esperar andamentos rápidos e foi o que, tanto a Ana Cabecinha, como a Inês Henriques e a Maribel Gonçalves, fizeram ao registarem os seus próprios recordes pessoais e um novo recorde nacional.


Com a época a decorrer bem, aproximava-se a recta final para o objectivo principal: os Jogos Olimpicos. Um lugar entre as oito primeiras seria como a cereja no topo do bolo. Apesar de todos os planos em termos de preparação terem sido bem cumpridos, a selecção à última hora destabilizou um pouco os ânimos no meu grupo de trabalho e a minha ansiedade, própria para estes momentos, estava um pouco acima do habitual. Mas tudo o que tinha a fazer estava no caminho certo. O grande dia chegou mas, diferente dos demais, nasceu negro com muita chuva. Na verdade, para mim, permaneceu assim durante muito tempo…
Desisti antes do décimo quarto quilómetro e falhei o principal objectivo da época… o principal objectivo após os JO de Atenas em 2004. Não sei se alguma vez conseguirei ultrapassar a angústia dum não-resultado nos JO Pequim.


Mas o IAAF Race Walking Challenge também foi um dos objectivos de 2008 e a final do circuito em Murcia, a 21 de Setembro, estava inicialmente nos planos como apenas um momento competitivo extra. Mas depois da desistência em Pequim, senti que tinha de exorcizar a minha agonia e a minha angústia, não só revendo vezes sem conta tudo o que se passou naquele dia 21 de Agosto, mas também voltar a competir com vontade e prazer. E foi isso que aconteceu em Murcia. Apesar de já não estar na forma de Agosto, fiz 1h30.17, mas ganhar com 31ºC e com toda a concorrência em prova. Foi altamente relevante para mim em especial no que toca à minha motivação competitiva!

Olhando para trás, vejo 20 anos de momentos fantásticos e de excelência competitiva, vejo também momentos difíceis e de insucesso, altos e baixos, tal como é a vida de qualquer cidadão é. 2008 na minha vida desportiva espelha isso mesmo, uma época com momentos altos e de qualidade e com momentos baixos. Todos deixam a sua marca. Sem dúvida, que tal como em 2005 a conquista da medalha Bronze no mundial será inesquecível, a desistência em 2008 também será inesquecível, mas desta vez é uma memória difícil, que ainda trás alguma agonia.
Ambas as memórias fazem parte da história da minha carreira e ambas têm os seus ensinamentos próprios!

Susana Feitor