Palavras..... Para quê?......
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Não teria chegado tão longe sozinha..........
Obrigado, Muito Obrigado!
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17 anos depois, com mais do dobro da idade, Susana Feitor voltou ao país onde se estreou em Campeonatos do Mundo. No Japão tinha a responsabilidade de defender o bronze de Helsinquia, mas ela sabia que ia ser dificil. O circuito feminino estava cada vez mais forte. Tinha surgido há pouco uma russa com marcas impressionantes, as restantes europeias de primeira linha tinham apostado tudo na temporada e não se sabia o que poderiam causar as sempre inconstantes chinesas ou a australiana Saville. Só por isso, um lugar de finalista já seria muito bom. Apesar dos receios, a adaptação aos horários decorreu de forma tranquila. O pior era o clima, mas até esse ajudou a 9 de Agosto. À semelhança do que acontecera dois anos antes, Susana fez uma prova cautelosa, "mas altamente concentrada. As minhas palavras de ordem neste Mundial foram a organização dos abastecimentos, a concentração e a
cautela até aos 10 - 12 quilómetros". A experiência da atleta fez com que não respondesse aos ataques de Kjersti Platzer e Maria Vasco. Ela sabia que, mais tarde ou mais cedo, o clima que se fazia sentir poderia condicionar mudanças bruscas de andamento. E foi conselheira para a colega de selecção e de treinos Inês Henriques. "Marchámos quase sempre lado a lado e perto dos 9 quilómetros ela deu sinais de que queria ir embora. Disse-lhe para ter calma que ainda faltava muito", lembra. Como atleta humilde e inteligente que é, Inês ouviu Susana, o que mais tard
e lhe valeu um excelente sétimo lugar. Aliás, estas caracteristicas aplicam-se a qualquer uma das três portuguesas em prova, porque também Vera Santos não entrou em aventuras que lhe podiam custar caro e terminou em crescendo em 11º lugar. Mas lá na frente estavam as russas, com destaque para Olga Kaniskina (que viria a ganhar), e as eternas Platzer e Vasco. A espanhola ganhou o bronze que lhe fugira em Helsinquia, mas a norueguesa estava em perda. "Eu seguia em quinto, mas nunca pensei que a poderia apanhar pois também tinha ali perto a alemã Zimmer e a Inês. Assim preservei o lugar em que seguia e, como correu como tinhamos planeado, quando cortei a meta senti um prazer tão grande que o podia comparar ao terceiro lugar de Helsinquia. É claro que uma medalha é uma medalha, mas são as histórias que vivemos que nos fazem sentir o prazer da vida, e em Osaka foi assim com o meu quinto lugar", remata. Essa alegria foi visivel quando, após concluir os 20 Kms em 1h32'01'', juntou as f
orças que lhe restavam para, do alto do seu metro e sessenta, levantar no ar ao mesmo tempo as amigas Kjersti e Sabine e para festejar o brilharete de Inês. Já nessa altura, Susana Feitor deixou a promessa de um décimo Mundial dois anos depois em Berlim.
Os Jogos Olímpicos são a pedra no sapato de Susana Feitor. Atenas voltou a correu mal e foram muitas as vozes que deram como terminada a carreira da atleta. Aos 30 anos não se é velho para a marcha, só que Susana havia começado na alta roda muito antes de todas as outras. A própria chegou a questionar se valia a pena continuar. E continuou... mas com um ritmo diferente e sem criar demasiadas expectativas. Foi assim que chegou a Helsinquia, até porque na época tinha tido de tudo. Desde desistências por problemas físicos até a um moralizador segundo lugar na Taça da Europa. Os dias anteriores
ue tinha e consegui passar". Quando entrou na pista sentiu a reacção do público, mas nem sabia bem em que lugar estava. Só sabia que era bom. Cortou a meta em 1h28'44'' e o primeiro abraço foi da Raquel Nunes: "Su foste bronze!". Depois veio o choro e a festa. Ao lado também chorava Maria Vasco. Susana confortou-a, afinal também sabia o que era ser quarta. Seguiu-se a volta de consagração ao lado de Olimpiada Ivanova (1ª com Recorde do Mundo) e Ryta Turava. Nessa volta lembra-se de ter "literalmente saltado para o colo da Naide Gomes que estava no lado oposto a competir no salto em comprimento". Susana dava largas à alegria. Mais tarde viria a dizer que
"os astros conjugaram-se a meu favor". 15 anos depois da conquista da medalha de ouro nos Mundiais de Juniores, Susana colhia os frutos de um árduo trabalho. Foi o dia mais feliz da sua carreira desportiva.
Consolidado o seu papel na marcha internacional, Susana Feitor chegava a Paris com o objectivo de ser finalista (entrar nas oito primeiras). Foi com esse propósito que se bateu durante toda a prova... até aos 17 quilómetros. Na altura era sétima. "A Susana Paixão, filha do meu treinador, apareceu a gritar para ter calma, pois tinha duas faltas no quadro. Fiquei em pânico", diz hoje Susana que recorda que "ia a marchar bem e previa um desfecho como em Edmonton. Mas 2001 foi um drama e não queria passar por outro, por isso abrandei muito". Abrandou tanto que nos últimos três quilómetros perdeu 45 segundos e foi ultrapassada por Melanie Seeger e Athanasia Tsoumeleka, que um ano depois viria a sagrar-se campeã olimpica e que abandonou o ano passado após analise de doping positiva. Susana foi 9ª (1h30'15''), à beira do seu objectivo. Venceu a russa Yelena Nikolayeva e Vera Santos foi 15ª na sua estreia em Mundiais.
ue já me deu uma grande alegria". Só que a supresa maior estava para vir. Depois da prima, surgiu outro primo, e o irmão, e mais familiares e amigos que tinham seguido de Portugal, de carro e de avião. "Deu para chorar de alegria", ou não fosse Susana uma atleta também de grandes emoções para quem todo o apoio é pouco.
O quarto lugar de há dois anos abria boas perspectivas para Edmonton. Recuperada da lesão que a impediu de brilhar nos Jogos Olímpicos de Sidney, Susana Feitor vinha de uma boa época e era uma das marchadoras debaixo dos olhares mais atentos na cidade canadiana. "Não estava a ser uma prova fácil, e aos poucos, com a fuga de duas russas, ficou um grupo pequeno de 3 a 4 atletas, que se isolava a cada metro que passava", recorda. Era neste grupo que estava Susana até à desqualificação. "Ia relativamente bem. É certo que ainda faltavam 9 quilómetros, mas cheguei a sentir o 'cheiro' da luta pelo bronze. O que iria acontecer nunca saberei". As desqualificações de marchadores não estão isentas de polémica e 2001 não foi excepção. No caso de Susana só lhe terão sido mostrados dois avisos, quando deveriam ter sido três. Mas não foi caso único. Ficaram fora da prova feminina 14 atletas, entre elas algumas favoritas, como Kjersti Platzer, num momento particularmente duro para a norueguesa, uma vez que na véspera o marido e técnico Stephan tinha sofrido um aneurisma. Na memória de Susana fica a grande determinação da marchadora que no final disse à amiga que tinha sido por ele e para ele, apesar da desqualificação no último quilómetro. Nesse 9 de Agosto a vitória sorriu a Olimpiada Ivanova, no seu primeiro de dois títulos. Apesar de tudo, de Edmonton ficam também algumas boas memórias, como o facto de Portugal ter pela primeira vez três marchadoras. Susana
fez-se acompanhar de Sofia Avoila (21ª) e de Inês Henriques, que na estreia também foi desqualificada. Igualmente positivo o reencontro com outra amiga que fez no atletismo. Conhecera-a um ano antes em Sidney, mas este foi o primeiro Mundial em conjunto: a voluntária portuguesa Raquel Nunes (na foto) que não falha uma grande competição.
O calor e a humidade de Sevilha foram escolhidos como palco da estreia da prova de 20 Kms marcha femininos em grandes competições internacionais. A distância já tinha sido percorrida por várias atletas, mas à seria era a primeira vez. Susana Feitor vinha moralizada com o bronze do Europeu de 1998 e a 27 de Agosto alinhou à partida ao lado de outras 51 marchadoras. Do Algarve, de Lisboa ou de Rio Maior, foram várias as vozes de incentivo que recebeu ao longo de todo o percurso. Recorda-se particularmente das mensagens gravadas a spray à saída do estádio: "Força Susana", "Pechão está contigo" e "Susana, Susana". Um animo extra para quem tinha ambições, mas não sabia o que lhe estava reservado. O primeiro susto chegou aos sete quilómetros. "Senti uma espécie de esticão no meu posterior esquerdo e nessa altura pensava que se ficasse nas dez primeiras seria fabuloso", diz. Mas depois de metade da prova as adversárias iam ficando para trás e Susana continuava no grupo das 8, por isso "já só rezava para ser oitava". O cansaço era muito, mas o prazer da competição superava qualquer fadiga e a determinação levou-a ainda mais longe. "Na v
olta final dei por mim na cauda do grupo em perseguição do trio que lutava pelas medalhas: duas chinesas (Liu Hongyu viria a ganhar) e a russa Fedoskina. Esta foi desqualificada. Eu, a Saxby-Junna e a polaca Radtke tinhamos o pódio à vista". A australiana de 39 anos (na foto) avançou e a resposta da Susana por pouco não chegou para o terceiro lugar. Foi quarta com 1h31’23’’, a cinco segundos da medalha, mas à frente de nomes como Erica Alfridi, Jane Saville, Kjersti Platzer, Maria Vasco, Yelena Nikolayeva ou Irina Stankina, antiga campeã mundial, agora apenas 17ª. Dez anos depois continua a dizer que "foi das conquistas mais emocionantes como sénior. Um 4º lugar que me deu muito gozo, pela sua história e empenho, e em especial pela garra que tive nos quilómetros finais". Este resultado, a par de outro quarto lugar do maratonista Luis Novo, acabou por ser o melhor que Portugal conseguiu nesse verão quente de Sevilha.
Foi um invulgar adeus aos 10 Kms marcha nos Mundiais de Atletismo. Pela primeira e única vez a IAAF decidiu realizar eliminatórias antes da final, para a qual só viriam a ser apuradas 20 atletas. Susana Feitor alinhou a 4 de Agosto ma primeira série. "A minha eliminatória foi duma dureza atroz. Às 8h da manhã já estava um calor que não se podia! Mas a dificuldade que senti não se travou apenas pelas condições climatéricas, uma vez que viria a descobrir mais tarde que padecia de forte anemia, que demorou imensos meses a curar", recorda. Mesmo assim, como sempre, Susana entregou-se à luta. Foi 11ª com 45'00'', 22ª no somatório das duas eliminatórias, e falhou por dois lugares a final. A corrida decisiva viria a ser ganha pela incansável italiana Annarita Sidotti, que há vários anos lutava por uma vitória a este nível. Entre as primeiras chegou também Olimpiada Ivanova, actual recordista mundial, que acabou por ser desclassificada por doping. "Foi a primeira vez que a vi. Marchava muito torta, mas com uma força brutal", acrescenta Susana, que voltou a ter festa no quarto com as duas medalhas (prata e bronze) de Fernanda Ribeiro. Este Mundial voltou a
distinguir entre as melhores a maratonista Manuela Machado e consagrou como "rainha" dos 1500 metros Carla Sacramento. Apesar do resultado menos conseguido para a conta pessoal, Susana Feitor teve em Atenas o inicio de outra batalha. "Foi a primeira vez que em reunião com os dirigentes (entre os quais o secretário de estado do desporto), vários atletas, em especial os mais experientes, partilharam as suas experiências de vida fora da alta competição. E foi nesse momento que reforcei o meu sentimento de que era realmente necessário fazer algo por quem tanto se dedicava pelas cores de Portugal". Era um sentimento que Susana já trazia desde o primeiro Mundial, mas na capital grega "senti-o com mais força e recordo um antes e um depois de Atenas nestas matérias da organização de atletas".
Dois anos depois do agradável 11º lugar de Estugarda, Susana Feitor vivia uma dificil transição para sénior. No entanto, face à sua grande valia não houve dificuldade em garantir os mínimos para Gotemburgo. A nível de tempos a evolução era notória, mas nesta altura havia já mais mulheres a andar mais rápido. A 7 de Agosto, Susana alinhou à partida ao lado de Irina Stankina. As duas conheciam-se bem. Um ano antes, Susana tinha sido a vice da russa no Mundial de Juniores de Lisboa, mas a transição da marchadora de leste para o escalão superior foi tão fácil que saiu da Suécia de ouro ao peito. Longe, Susana foi 17ª com 44'25''. 14 anos depois sublinha a dureza da prova. "Nunca irei esquecer a dificuldade da competição esse ano. A Stankina era uma menina entre as senhoras e eu ainda andava longe dos lugares da frente". Ela e outras que hoje estão entre as melhores e em Berlim preparam o assalto ao pódio. No terceiro Mundial de Susana deu-se a estreia das conceituadas Maria Vasco e Kjersti Platzer, modestas 26ª e 40ª, respectivamente. Foi mais um ano de apredizagem para os desafios que se seguiram e de festa para Portugal. Gotemburgo é de grande memória para as
cores nacionais com as 4 medalhas de Fernanda Ribeiro (ouro e prata), Manuela Machado (ouro) e, da uma vez mais companheira de quarto de Susana Feitor, Carla Sacramento (bronze).
Susana Feitor chegou ao seu segundo Mundial sem que este fosse um dos objectivos principais de 2003. Com 18 anos, ainda era júnior, e o Europeu da categoria, na cidade espanhola de San Sebastian, tinha sido a grande aposta. Um tiro certeiro com mais um título na carreira da riomaiorense. Mas naturalmente, com o mínimo conseguido, a marchadora não perdeu a oportunidade de competir ao mais alto nível e rumou a Estugarda. "Ir ao Mundial foi mais um bónus num época positiva", lembra. A prova aconteceu a 14 de Agosto e correu ainda melhor do que a estreia, dois anos antes. Entre 53 participantes, Susana ficou à porta do Top10. Foi 11ª em 45'03''
, num dia em que quem subiu ao lugar mais alto do pódio foi a finlandesa Essayah Sari. No pelotão já andavam nomes como Elisabetta Perrone, Annarita Sidoti ou Yelena Nikolaeva , de quem Susana começava a aproximar-se.
Ao longo dos próximos dias, e a antecipar a histórica décima presença em Campeonatos do Mundo, vamos recordar as nove participações de Susana Feitor, que fazem dela uma das atletas à escala global com mais presenças no evento. E começamos por Tóquio onde Susana chegou como uma menina. Como a própria diz, "senti-me muito pequenina, mas grande ao mesmo tempo".
Rosa Mota", recorda, sem esquecer outros nomes marcantes (alguns dos quais ainda iria reencontrar noutras ocasiões) como Conceição Ferreira, Albertina Machado, José Regalo, Domingos Castro, José Urbano ou Aurora Cunha, com quem partilhou o quarto, junto com outra marchadora, a Isilda Gonçalves. Foi um mundo de experiências para uma menina que ali mesmo não teve dúvidas de como queria crescer como atleta.