Mostrar mensagens com a etiqueta A opinião da Susana. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta A opinião da Susana. Mostrar todas as mensagens

sábado, 27 de setembro de 2014

Gabrielle Andersen, Suiça, JO LA'84... O que tem a ver comigo?!?

Grabrielle Andersen, maratonista, Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984, prova ganha por Joan Benoit (USA), prata para a Grete Waitz (NOR) e a nossa Rosa Mota conquistou o bronze! (quem não se lembra disto?)









(Um atleta procura sempre o seu limite, mas o bom senso e o equilibrio nunca são demais!)

Esta história da Gabrielle em LA' 84, vai a um limite extremo, mas não deixa de ser impressionante! Antes não era possivel às equipas médicas dar assistência aos atletas em competição. Foi depois deste acontecimento que a IAAF ajustou os regulamentos para que fosse possível o apoio médico em competição e assim os atletas não seriam desqualificados por isso.

Mas partilho aqui este vídeo, porque este acontecimento, marcou a minha memória duma forma altamente vincada, além de me ter "influenciado" no uso dum boné em competição, sempre provocou em mim um misto de emoções. Essas emoções reportam-me quase sempre aos momentos mais complicados, às competições difíceis... as que levo até ao fim!.. e as outras, em que não consigo cortar a meta! E desde 2008 que penso em especial na minha desistência nos 20km, nos JO Pequim'08... Estas coisas deixam a sua marca e cabe-nos saber interpretá-las e "usá-las" bem!
Estas emoções que sinto, quando vejo um video como este da Gabrielle Andersen, emocionam-me e deixam no meu íntimo uma vontade desportiva gigantesca de persistir, de continuar! (desde Setembro que ficou registado aqui no blogue) Mas tal como em tudo na nossa vida, "Saber escolher e tomar a decisão correcta" são o segredo!!
E nesta fase da minha carreira, a emoção que este vídeo desperta mais em mim, é continuar o que sei fazer melhor e encontrar o momento certo para deixar de me concentrar na competição... Depois sorrir de satisfação, olhar em frente e concentrar-me noutras coisas, também elas motivantes e motivadoras! :-D
Não vale a pena esmiuçar mais estas emoções... mas são poderosas! Fica aqui esta partilha, que pode ajudar alguém a entender melhor a persistência das pessoas em geral e dos atletas em particular! :-)

terça-feira, 15 de março de 2011

Uma filosofia diferente

Este ano o tempo parece voar… Já passaram 3 semanas e falta pouco para voltar para casa!Devo dizer que a “aventura” em Chihuahua ajudou muito a quebrar a rotina dum estágio tão longo como este. Depois da bizarra viagem que tive e do resultado que consegui, agora sorrio cada vez que penso no que poderia ter corrido mal na minha ida ao México… é que por uma má orientação dos controladores de terra, o avião em que nós estávamos preparados para arrancar em Phoenix, quando estávamos a sair da manga para a pista de descolagem, bateu com a asa num camião cisterna com fuel… podia ter corrido tão mal, mas felizmente não! Do acidente apenas resultaram uns vidros partidos do camião e antenas partidas do avião. O pior foi reorganizar a viagem e depois de estar na eminência de cancelar a ida ao México, lá conseguiram colocar-me num voo para a Cidade do México, onde chegaria à 1 da manhã e tive de passar lá a noite para no dia seguinte (dia da competição) às 7h sair para Chihuahua. Acabei por chegar 2h antes da prova e mal tempo tive para trocar de roupa no hotel, preparar as bebidas e siga para a competição… Uma verdadeira aventura! Levei a situação dum modo descontraído, pois nada poderia fazer para mudar e participei com calma na minha jornada de 20km. Na parte final senti falta de frescura nas minhas pernas, mas fiquei muito satisfeita por ter conduzido tudo como gostaria e o resultado foi dentro do planeado. O regresso a Flagstaff foi tranquilo, retomei o ritmo de treino e até agora cumpri todo o plano. Para minha surpresa consegui chegar aos 150km numa semana após 20km em competição, sem problemas musculares que me são tão habituais. Por isso sinto-me muito satisfeita pela gestão que o Stephan está a fazer do meu esforço e também estou muito satisfeita com os feedbacks que me tem dado. Está a ser uma fase muito interessante de adaptação ao novo ritmo de treino e tal como esperava, não se trata de uma revolução, mas apenas de uma filosofia diferente.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Desmor entrevista... Susana Feitor

Enquanto Susana regressa ao estágio em Flagstaff (Estados Unidos) já na companhia do técnico Stephan Platzer e de Kjersti Platzer, fica a entrevista recente à Desmor, a empresa que gere o Complexo Desportivo de Rio Maior, na qual são divulgados os objectivos mais imediatos para a temporada.


domingo, 16 de janeiro de 2011

Ano Novo… Ciclo Novo!

Uma carreira desportiva, em especial numa modalidade individual, é também muitas vezes um percurso solitário, mas na verdade nunca podemos estar sós, devemos ter a nossa equipa de trabalho que vai arquitectando o caminho em função de objectivos bem definidos. O treinador é um elemento fulcral nessa equipa, muitas vezes com um desempenho multifacetado de funções que vão muito para além das suas competências específicas. E nesta matéria tenho muito a agradecer ao homem quem me descobriu para o atletismo nos anos 80 e me encaminhou para a Marcha Atlética, Jorge Miguel, treinador de atletismo há mais de 30 anos, com formação profissional pela Federação Portuguesa de Atletismo e dinamizador da modalidade há 40 anos. Conheci o Jorge Miguel com apenas 11 anos e desde então temos um relacionamento forte e próximo. Cresci como desportista e como mulher sob muitas influências suas. Estou grata pelo caminho que tivémos oportunidade de fazer. Graças ao seu empenho e carolice conseguimos ultrapassar muitos obstáculos e demos passos importantes, alguns pioneiros nas mais variadas áreas da prática desportiva, mesmo quando os recursos eram ainda muito mescassos. No entanto, e tal como em qualquer relação pessoal, familiar ou profissional, também nós tivémos as nossas divergencias com pontos de vista discordantes, ultrapassámos umas, mas não ultrapassámos todas. Entre estes altos e baixos, a dada altura a nossa equipa não funcionou como gostariamos e foi surgindo um desgaste profissional que nenhum de nós antevia, alterou-nos as perspectivas e o modo de actuar perante as mais variadas situações. A um dado momento decidimos avançar para uma fase diferente, apesar do nosso relacionamento pessoal continuar a ser de grande respeito e amizade, o nosso relacionamento profissional sofreu alterações de dinamica e funcionamento. E foi, então, o momento de terminar um ciclo para darinicio a outro.
Quero dizer com isto que o meu enquadramento técnico vai passar a ser feito por Stephan Platzer, não só pelo seu curriculum e afirmação internacional que tem como treinador, mas também pela relação pessoal de confiança e proximidade que tenho tanto com ele como com a Kjersti Platzer. Pode parecer arrojado tomar uma decisão desta envergadura na fase final da minha carreira, mas não é. Apesar dos resultados desportivos terem uma dimensão imprevisível, é importante que, quaisquer que eles sejam, tenham embrenhados uma grande motivação e boas energias. São esses os ingredientes que quero atrair para este novo ciclo da minha carreira.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Podia ir ao meu quinto Campeonato da Europa?

Poder, podia… mas não fui seleccionada!

Pois é, estou triste pela decisão do seleccionador nacional na escolha da pré-selecção para o Europeu nos 20 Kms marcha femininos, desta vez fiquei de fora!
Já ouvi alguns a dizer: “Susana, já levas 21 anos de selecção nacional, já não era sem tempo de ficares em casa?”, mas quando ainda se consegue trabalhar, gerir o esforço, tratar da motivação e atingir boas marcas, o “onho não pode continuar a comandar a vida?”? Só que a minha tristeza é agudizada por um factor extra, que até posso lhe chamar de mágoa misturada com desilusão.

Este sentimento não se prende apenas pelas questões factuais de ter a terceira marca do ano e ter sido preterida da pré-selecção para Barcelona, já que a marca que fiz no GP da Corunha é o único critério de peso que consegui atingir esta época rumo ao Europeu (para além do palmarés que levo no meu currículo, que também consta como um dos critérios a ter em consideração para se ser seleccionado), mas este meu sentimento é acrescido apenas, e só, porque soube da decisão do nosso seleccionador nacional via sms enviada por um amigo meu, após ler no site da FPA a divulgação da pré-selecção para a marcha feminina.

Pode-se questionar, se é correcto ou não, porque manifesto aqui o meu lado desta história e porque escrevo aqui que me vai na alma, mas a razão é simples, somente porque sou “filha de boa gente e só não se sente, quem não o é”. Por outro lado, não quero deixar passar este episódio dum modo privado, quero que quem venha a este blogue saiba que, mesmo pertencendo à casa (FPA) não tenho qualquer pudor em expor publicamente o que penso e sinto, desde que de um modo justo, honesto e correcto… E desta vez portaram-se mal comigo! Existem procedimentos oficiais, que os posso questionar, mas não os coloco em causa. Mas em relação aos procedimentos humanos já não posso dizer o mesmo...

Esta época… E uma raiz!

Depois da minha desilusão nos JO Pequim, decidi que os objectivos das épocas futuras seriam definidos em função dos apoios que for tendo (oficiais e privados), da motivação que sentir e das respostas que o meu corpo for dando à carga de treino.
Assim foi 2009, que terminou bem com 10º lugar em Berlim, na minha décima participação em Mundiais, apesar de ter sido uma época instável e difícil de percorrer.

Para 2010, ano de campeonato da Europa e dada a grande competitividade interna para os três lugares na selecção, consenti que manter o meu nível 3 no Projecto Olímpico, ajudar a equipa na Taça do Mundo a conquistar um lugar no pódio e ter como um dos momentos mais altos do ano, os 20 kms no GP Rio Maior, seriam objectivos coerentes, possíveis e que me permitiram dedicar um pouco mais ao meu curso universitário, que pouco tem avançado.

Mas em plena preparação de Inverno, apareceu uma raiz duma árvore no meu caminho, que não estava no programa antes do campeonato nacional de marcha em estrada em Olhão. Durante um treino de corrida em terra batida tropecei na dita cuja e o resultado foi uma pequena catástrofe física. Diagnóstico: fractura do toquíter esquerdo (braço/ombro)... Consequência: imobilizada durante tempo demais.

As lesões nunca estão previstas, mas temos de tentar preveni-las e quando aparecem temos de saber lidar com elas. Não é tarefa fácil! E esta lesão é daquelas que não lembra a ninguém, que para além de limitar a actividade desportiva, restringiu-me a vida quotidiana e durante uns tempos fiquei limitada em fazer coisas tão simples como conduzir, vestir, tomar banho ou até secar o cabelo, confesso que foi uma verdadeira chatice!!
Este acidente colocou logo de lado a minha participação no Campeonato de Portugal de marcha em estrada em Olhão a 21 de Fevereiro e deixou muitas reservas em relação à participação no GP Rio Maior a 10 de Abril, que veio a verificar-se, uma vez que a recuperação foi muito demorada e a retoma ao treino regular tardou.

Perante este cenário, no final de Março, tive de reequacionar os objectivos do ano.
Mantendo os estágios em altitude e retomando o programa de treino dum modo ainda mais intenso, qual seria a minha hipótese manter o nível 3 do Projecto Olímpico? E em que condições estaria na Taça do Mundo? E a disputa dum lugar na equipa para o Europeu ainda seria viável? Teria tempo para me preparar em boas condições?

Mesmo tendo a noção que alguns dos critérios colocados pela DTN para a selecção para o Europeu ( http://www.fpatletismo.pt/ficheiros_artigos/Critérios%20de%20Selecção%202009-2010(1).pdf ) já estariam esgotados, outros ainda restavam. E foram aos restantes critérios definidos que me agarrei, nomeadamente à data limite da divulgação final da pré-selecção, 21 de Junho (logo após os 20km do IAAF Race Walking Challenge na Corunha, prova que apresenta sempre um grande nível competitivo) o que me permitiria dar o tudo por tudo até lá.
Mas não foi um percurso fácil…

Após grande ponderação e numa espécie de corrida contra o tempo, deparo-me com poucas provas de 20 kms onde consiga estar numa forma física mínima que me permitisse cumprir com pelo menos um dos objectivos possíveis. Um desses objectivos seria a qualificação para o Europeu até ao dia 21 de Junho (a disputar um lugar com a Vera Santos, a Inês Henriques e a Ana Cabecinha, que entretanto já estavam bem encaminhadas para o alvo) e o outro objectivo seria fazer por duas vezes menos de 1h32’40 em competições de qualidade, o que pelo menos, não indo ao Europeu, me manteria o apoio do nível 3 do Projecto Olímpico, permitindo assim continuar a treinar e a apostar no alto rendimento.

As competições de 2010…

A Taça do Mundo de marcha em Chiuhauha a 14-15 de Maio, aproximou-se rápido, mas a minha forma não veio tão rápido. Apesar de ter a real noção do meu atraso de forma, nem me passou pela cabeça colocar em causa o sacrifico pela selecção na taça do mundo, pois sabia que se recusasse (mesmo com justa causa) a participação nesta competição colectiva, as possibilidades da nossa equipa em subir ao pódio seriam diminuídas (devo recordar que com as medalhas da Vera e da Inês, tanto o 8º lugar da Ana ou o meu 16º lugar, dariam o brilhante Ouro colectivo que conquistámos para o Atletismo Português). E por outro lado, nós atletas também devemos ter presente que os apoios oficiais que recebemos por sermos de alto rendimento também existem para correspondermos a alguns sacrifícios necessários. Portanto, mesmo estando fora de forma e sabendo das difíceis condições climatéricas que iríamos encontrar, tinha consciência que a minha participação daria alguma confiança à equipa e não poderia recusar em ser útil… Assim foi! Este foi o meu primeiro “confronto” competitivo directo com as minhas colegas (de apenas dois que tive possibilidade), fui a quarta do grupo. Fiz uma competição com muita paciência e sempre em plena gestão do esforço, que foi altamente recompensada com a subida ao lugar mais alto do pódio.

O passo seguinte seria a subida efectiva da forma, tendo tudo em falta, a resistência, a potência, a velocidade, o trabalho parecia gigante, é que para marchar 20 kms a altos ritmos é algo que não se treina em meia-dúzia de semanas. E a previsão mais viável e certa de resultado, seria apenas para o GP na Corunha. Entretanto propus-me ir a competir a mais uma etapa do IAAF Race Walking Challenge em Cracóvia, pois são necessárias três participações no circuito para poder estar na final em Setembro em Pequim e eu apenas tinha a participação na Taça do Mundo. A distância em causa é de 10 kms, mas tanto para o europeu como para o projecto olímpico a distância que conta são os 20 kms, no entanto dadas as circunstâncias seria bom competir. Fiz 45’26, tendo sido notória a carga de treino que estava a fazer e a natural falta de ritmo. Mas regressei com ganas!

A última oportunidade rumo ao Europeu… 19 de Junho em La Coruña!

Apesar de ter consciência das minhas condições, a noção da realidade era dura e não me encontrei sempre forte a nível psicológico, o que me levou a esforços suplementares e a uma dedicação diferente, mas foi relevante competir na Polónia. Paralelamente a isto tudo, o meu corpo também foi cedendo à carga e foram aparecendo as dores, que já me são típicas, dores nos músculos posteriores de ambas as coxas! Entre o controlo na fisioterapia/MFR e nas adaptações das sessões de treino, consegui controlar a situação.

E lá chegou o dia 19 de Junho, mantive-me tranquila o quanto possível e concentrada no meu trabalho, pois seria a única variável ao alcance do meu controlo, tudo o resto não dependeria de mim, fazer o meu melhor é sempre objectivo, mas nem sempre conseguimos fazer isso dum modo tão simples.

Concentrada, apostei na competição com a minha experiência e cautela, para não cometer erros nem loucuras, em especial para aguentar a fase dura dos 12-15 quilometros. A Vera Santos e a Inês Henriques passaram a 44’21 a meio, a Ana Cabecinha já mais atrasada passa a 44’34 e eu passei a 45’15. A Ana desiste na fase mais dura de uma competição. Depois de ter andando no grupo da frente a ritmos altíssimos, sentiu uma dor na barriga que a leva a quebrar de tal modo, que segundo quem estava a assistir conta que nos viu a aproximar rapidamente. Eu estava tão concentrada no meu trabalho que não percebi da desistência da Ana, pois após os 20 minutos da nossa partida, partem os homens e o circuito fica mais preenchido com atletas em competição, daí ser mais difícil estar atenta a tudo o que se vai passando.
O meu resultado foi uma competição a ritmos fortes e regulares (22’34+22’41+22’55+22’37 = 1h30’47), terminando bem nos últimos quilómetros, quem faz esta distância sabe bem o que isto significa.

A pré-selecção final nos 20km marcha femininos

A convocatória final tinha data marcada para sair a 21 de Junho e tinha marcado a vinda para estágio para altitude no dia seguinte, ou seja a intenção seria estar em estágio tranquila com tudo definido, Isto é a treinar sem dúvidas ou ansiedades, como já aconteceu no passado. No dia 23 de manhã, já em St. Moritz, quando acordo e ligo o telemóvel recebo uma sms, enviado por um amigo, a dizer que ao final da noite tinha sido anunciada no site da FPA a 3ª atleta pré-seleccionada para Barcelona!

Fiquei… Primeiro, fiquei espantada, pois ninguém me tinha dito nada e depois fiquei triste por não ter sido a 3ª escolhida, dado ter feito a 3ª marca do ano dentro do prazo pedido e numa fase mais adiantada da época, aspecto que habitualmente tem muito peso para se ser seleccionado.
Até parece ironia, dado que a atleta que desiste é que foi pré-seleccionada, quando a adversária mais directa termina com melhor marca que a sua! No meu ponto de vista a competição na Corunha, dado que estava dentro do prazo definido pelos critérios, deveria ter tido peso nas contas da pré-selecção. Ou não?

A questão em causa é que de facto no meu segundo “confronto” com as minhas colegas, sou a terceira, dado que uma delas desiste e ainda faço a 3ª marca entre as quatro.
Mas então, afinal a data limite na Corunha não deve ter sido relevante! (como não falei com nenhum responsável sobre o assunto, não sei precisar este dado)
Nos critérios estão referidas três competições de referência para avaliação, nomeadamente o Campeonato Nacional de estrada a 21 de Fevereiro, o GP Rio Maior a 10 de Abril e a Taça do Mundo em Chiuhuahua a 14 de Maio e eu apenas pude participar numa, na Taça do Mundo. Portanto, suponho que, o meu resultado na prova da IAAF na Corunha, superior em 27'' ao melhor da Ana Cabecinha esta época, apenas teria sido considerado caso existisse uma dúvida na convocatória!

Dado isto, pode-se questionar, se as três atletas a pré-seleccionar já estavam definidas após a Taça do Mundo, porque não me foi dito algo? É que bastaria “algo” para que estivesse mais informada sobre o “peso” da competição na Corunha. Suponho…

Estou triste porque…

Apesar de sentir que estou mais forte agora, do que estava na mesma altura no ano passado ou inclusive em 2007 (ano em que fui 5ª no Mundial em Osaka), estou triste por não ter sido a escolhida para ir ao Europeu, não percebo, mas posso entender pelo modo como estão redigidos os critérios… É claro, que posso entender!
E também sei que a posição do seleccionador não é fácil e estou grata pela divulgação dos nomes ter acontecido como devia, porque assim todas as atletas sabem qual os seus objectivos imediatos e sabem a que propósito estão em estágio!

No entanto não posso deixar de considerar que estas não são as melhores circunstâncias para se proceder à selecção dum lote de atletas, em especial quando o número de lugares é inferior ao número de candidatos… Mais uma vez creio ser necessário uma nova reflexão para melhorar o futuro! Refiro-me em especial a uma exímia comunicação que deve existir entre os interessados na matéria!

Mas tal como já disse, a minha tristeza é agudizada por um factor extra e o que sinto é uma grande mágoa misturada com desilusão, pois afinal consegui cumprir um dos critérios, isto é a 3ª marca entre as quatro atletas em disputa pelos três lugares, e a pré-selecção é divulgada no site da FPA sem ter tido a oportunidade de saber que estava de fora antes de ser público.

Mágoa e desilusão, apenas e só porque me parece que houve alguma indiferença a uma lesão grave e ao mesmo tempo parece não ter existido respeito pelo meu esforço e pelo meu trabalho, depois de tantos anos a defender as cores do atletismo e de Portugal, acho que merecia um pouco mais que um gélido comunicado online...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Estágio em Flagstaff quase no fim

A maioria deste tipo de estágios prolongados é muito exigente, especialmente no aspecto psicológico, dado que estamos muito tempo com as mesmas rotinas e com as mesmas pessoas, não é fácil viver o dia-a-dia com a mesma vontade e energia. Se o ambiente for positivo e descontraído é mais simples manter a concentração e a motivação no treino é mais produtiva, por um lado, e por outro o tempo passa dum modo menos tenso.
O tempo desta vez passou mais rápido. Chegámos no dia 16 de Abril e já estamos na última semana de estágio. A zona é boa para treinar, com oferta variada de locais, mas estarmos vários atletas de diversas nacionalidades também é benéfico para a produtividade do treino e torna o ambiente mais agradável.

A meio da estadia tivemos os aniversários da Ana Cabecinha (26 anos) e da Inês Henriques (30 anos). Convidámos todos os atletas e treinadores a virem à nossa casa cantar os parabéns e comer uma fatia de bolo. Na segunda-feira passada, após um fim-de-semana recheado de muito treino, aproveitámos estar a poucas milhas do Grand Canyon e fomos contemplar uma das maravilhas mais grandiosas do mundo criada pela natureza.

Vim para este estágio com a minha preparação muito atrasada, devido à paragem provocada pela fractura no braço, mas aos poucos consegui recuperar algum tempo. Apesar de estar muito mais forte ao nível cardiovascular, todavia ainda estou longe dos meus ritmos habituais, nomeadamente nesta fase do ano. Daqui, iremos na próxima terça-feira, para a Taça do Mundo no México, a minha oitava participação e, pelo atraso que levo na preparação, devo pensar nesta competição com alguma cautela, até pelo clima e a altitude a que a prova se disputa. Prevêem-se temperaturas a rondar os 32ºC à hora da partida a 1450 metros de altitude. Não são condições fáceis para uma competição destas, no entanto a perspectiva colectiva no lado feminino é muito boa, não só porque somos uma equipa forte, como já temos mostrado noutras competições colectivas, nomeadamente na última Taça do Mundo na Rússia em 2008, em que fomos medalhadas de prata, mas porque também algumas das atletas mais fortes não estarão. São os casos da irlandesa Olive Loughnane, da russa Olga Kaniskina, das alemãs Melanie Segger e Sabine Krantz, da italiana Elisa Rigaudo e ainda da romena Claudia Steff (estas três últimas não estão em competição este ano por gravidez).

Vamos aguardar serenamente para ver o que vai acontecer em Chiuhauha, entretanto vou continuar empenhada na minha preparação, por agora em altitude, e depois da Taça do Mundo volto a casa para prosseguir na busca dos objectivos desta época.

Susana Feitor

sexta-feira, 2 de abril de 2010

As diferenças entre homens e mulheres no “Tardes da Júlia” (TVi)

Fui convidada pela produção por sugestão da Associação Portuguesa da Mulher e do Desporto, da qual não faço parte, mas sou sócia.

Fui convidada para falar sobre a diferença de prémios, que ainda existe, entre homens e mulheres nalgumas competições, nomeadamente naquelas que têm apoios públicos (Juntas de Freguesia, Câmaras Municipais, IDP, etc). Este assunto foi abordado no contexto da diferença entre homens e mulheres nas várias áreas da sociedade.

Aceitei ir, porque não gosto de assistir a injustiças de qualquer ordem e ficar calada não faz parte de mim, por isso sempre que puder ser útil para contribuir na inversão dessas situações, lá estarei para dar o meu contributo.

Devemos exigir a igualdade de oportunidades
No entanto, não me identifico como feminista e muito menos como extremista, nem nestas matérias das lutas pela igualdade de género, nem noutras, pois penso que nesta sociedade em que vivemos acho que não será com a força do "extremo" ou da obsessão que faremos valer dum modo (necessariamente) positivo qualquer tipo de direito, por muito legítimo que seja.
Sobre esta temática, defendo que é justo existir uma igualdade de oportunidades, que não tem nada a ver com "guerra de sexos" ou com igualdade de tarefas ou formas de ser.

"Todos diferentes e todos iguais"
Para mim o lema, de que somos "todos diferentes e todos iguais" faz todo o sentido e é nesse contexto que considero pertinente falar deste assunto. Uma mulher nunca será igual a um homem, nem vice-versa, mas todos devem ter as mesmas oportunidades e devem ser verdadeiramente reconhecidos pelo seu real valor e não numa óptica de diferença apenas por uma questão de "sexo" ou opção.

Fui às TJ contar 2 episódios pessoais sobre esta questão das diferenças e retratei o cenário real das diferenças de prémios em várias modalidades (dados fornecidos pela APMD – http://www.mulheresdesporto.org.pt/ ), nomeadamente no Ténis, no Ciclismo, no Surf e no Atletismo. Apesar de assistirmos a uma evolução no sentido da igualdade, em especial no que diz respeito aos primeiros lugares, as diferenças existem na ordem dos 30% (para menos nas mulheres). É justo dizer que o facto da densidade participativa das mulheres ser inferior ao dos homens, pode justificar um maior número de atribuição de prémios nos homens, mas não é justo aceitar que existam diferenças nos mesmos lugares classificativos.

Quanto a mim, na verdade durante a minha carreira nunca senti uma descriminação de género tão agressiva, como aconteceu (e ainda acontece) a algumas outras colegas atletas.

Grande Prémio de Marcha de Vila Nova de Gaia, em 2009
No ano passado, no nosso campeonato nacional de marcha em estrada, em Canidelo, tivemos uma situação que ilustra o que ainda vai acontecendo no nosso país. O campeonato foi em simultâneo com o Grande Prémio de Marcha de Vila Nova de Gaia, organização da Gaiamina (empresa municipal, organismo público). Este GP atribuiu prémios monetários aos primeiros lugares masculinos e femininos, apesar de não serem significativos, apresentaram diferenças para metade nos 20km homens para os 20km mulheres, de 150€ ao 1º lugar masculino, para 75€ ao 1º lugar feminino. Assim que constatamos esta situação no regulamento distribuído pelos clubes e associações de atletismo, enviámos uma cópia para a APMD, que por sua vez enviou à CM de Gaia um pedido de esclarecimento e para que a situação fosse alterada, para a paridade entre os géneros, ao abrigo da própria constituição do nosso país. A deputada municipal da CM de Gaia, Dra. Ilda Figueiredo tratou do assunto, sobre o qual nem estava a par. Em assembleia municipal o assunto foi resolvido e os prémios foram alterados no sentido correcto.

Este é um exemplo que não devemos ficar indiferentes às desigualdades, em especial quando favorecem a injustiça social, e podemos fazer a diferença se usarmos os métodos adequados de “luta”. Não é preciso fazer uma revolução violenta, é certo que não é um combate fácil, este contra a descriminação entre géneros, mas se for efectuado com método, dum modo organizado e com as ajudas certas, estou convicta que é possível ir equilibrar estas e outras diferenças, nomeadamente na forma de pensar o género, que ainda subsiste na sociedade.

Bons Exemplos...
Também devemos realçar os bons exemplos que existem, pois devem servir de guia aos demais. A meia-maratona de Portugal, considerada uma das melhores do mundo, é um desses exemplos. Nas primeiras edições também se verificaram diferenças entre os prémios femininos e os prémios masculinos, mas talvez pelos vários protestos de atletas, como a Rosa Mota ou a Fernanda Ribeiro, entre outras, ou por outra razão, o que se verificou foi uma paridade entre esses prémios, dando o exemplo de que é possível uma mudança no sentido equilibrado.
Outro exemplo é o GP Internacional de Marcha de Rio Maior (http://www.cm-riomaior.pt/gpmarcha), que já vai na sua 19ª edição e desde o inicio os prémios foram sempre distribuídos de modo igual entre homens e mulheres.
.
Episódios na minha infância...
As histórias que contei, revejo-as hoje com alguma piada, mas na altura senti-as com alguma intensidade, passaram-se na minha infância, logo no inicio da minha prática desportiva. Estas histórias devem ser enquadrada num contexto social e familiar.

Vivo no lugar de Sourões (freguesia de Alcobertas, concelho de Rio Maior) situado no sopé da Serra dos Candeeiros e naquela altura no final dos anos 80, não era banal praticar desporto com regularidade, como acontece hoje. Por outro lado o meu pai, imigrante em Angola há muito anos e já o era nessa fase do meu inicio como atleta. Como não estava em Portugal, só quando veio de férias na época do Natal percebeu que a filha não tinha uma rotina igual, em especial durante os fim-de-semana, em que estaria habitualmente em casa a ajudar a minha mãe nas lidas da casa, saía para ir participar em provas de atletismo.
Este cenário causou-lhe alguma confusão, pois considerava que não era normal uma menina ter esse estilo de vida e que o meu lugar seria em casa a ajudar a mãe e a fazer os trabalhos de casa. Tivemos algumas discussões por causa dessa minha opção em praticar desporto. Mas aos poucos, fui impondo a minha vontade, pois desde que conseguisse cumprir com as minhas tarefas, nomeadamente na escola, tinha mais alguma liberdade em praticar aquilo que tanto prazer me estava a dar, atletismo. Por outro lado, como tive a sorte de ter resultados desportivos relevantes, primeiro a nível nacional e logo depois a nível internacional, que me projectaram nos jornais e na televisão, fez com que o meu pai percebesse que eu estaria a levar muito a sério aquilo que andava a fazer no desporto e que para além de me trazer aspectos positivos para a minha personalidade, também resultava em algo que se ia tornando grande. Por outro lado em Angola, o meu pai recebia os jornais e sempre que aparecia num deles, eram os seus amigos a fazer perguntas, a questionar se aquela "Susana Feitor" não seria da sua família... enfim, aos poucos, aceitou a minha nova vida e foi sempre apoiando.

A outra história refere-se apenas a comentários que ia ouvindo lá na terra, quando ia treinar no pinhal, com apenas 15-16 anos, algo que também não era habitual. Ouvia vários comentários dos vizinhos, nomeadamente dos homens, que não achavam nada bem uma menina andar a correr de calções pelo pinhal.
O meu avô também fez os seus comentários preocupados com o meu "novo" comportamento e disse várias vezes à minha mãe que não entendia porque andava a perder tempo nas corridas, quando já tinha idade para andar a ceifar a erva para os coelhos. Sempre fui muito participativa e activa em várias actividades e nem essa de ajudar a minha mãe nas lidas da agricultura me escapava, pois gostava muito de andar pelo campo.

Foi assim... mas os tempos mudam e também podem mudar as mentalidades!

Beijinhos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Professor Albino Maria

Professor Albino... Sinto-me grata por ter partilhado consigo tantas conversas e ideias estimulantes! Sem dúvida, um homem visionário! Deixa-nos uma herança muito rica!

Amanhã vamos dizer-lhe um "Adeus"... o seu corpo deixou-nos!... mas o seu exemplo e tudo o que nos mostrou ser como homem, perdurará connosco! Vamos sentir saudades suas!!

E digo "vamos", não só porque sei que seremos muitos a sentir, mas também porque até ao último dia que esteve entre nós continuou a ser o Albino de sempre, mesmo com as "partidas" que o seu corpo lhe estava a pregar.

Descance em paz, meu caro!
....

O Professor Albino Maria, faleceu no hospital em Santarém na segunda-feira! O seu corpo cedeu ao sofrimento atroz que vinha padecendo há longos meses... Foi um lutador até ao fim, mostrou-nos como a força de espírito e a motivação pela vida fazem a diferença neste mundo!!

Nunca saberemos verbalizar o que é perder alguém assim, mas sei que todas as palavras serão sempre insuficientes! À sua familia e amigos, um beijinho de muita força para ultrapassar estas duras horas de dor e de perda, em especial à sua esposa e aos seus filhos.
Susana Feitor
.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Resultados em Rio Maior - Autárquicas 2009

A candidatura "Sempre pela Positiva", na qual me encontrava como candidata, não conseguiu o maior número de votos no concelho de Rio Maior. Para a Câmara Municipal obteve 4.789 votos, contra os 5.997 da coligação "Juntos pelo Futuro".

Rio Maior conta com 18.586 eleitores, em 14 freguesias, destes foram às urnas 12.187, ao contrário do que aconteceu nas legislativas, a abstenção não ganhou !Também na minha freguesia, Alcobertas, a candidatura "Sempre pela Positiva" não saiu com o maior número de votos, a maior votação coube também à coligação "Juntos pelo Futuro", com Marcolino Alves Duarte e a sua equipa. Marcolino já exerceu o cargo de presidente de junta e volta após alguns anos fora destas andanças.

Depois dos resultados, muita coisa se diz, muito se analisa, todos são analistas, muita conversa de café. Registam-se as falhas e os sucessos, o que foi dito e o que não foi, os boatos e as mesquinhices, as grandezas e as "pequenezas" , os projectos mais válidos e os menos válidos... Mas o que realmente importa é que a nossa terra siga a rota do bom desenvolvimento. Começa um novo ciclo, o povo foi soberano e exerceu o seu direito, dando a vitória a Isaura Morais e à sua equipa. Daqui quero endereçar as minhas felicitações e desejar o melhor, pois como já disse várias vezes, acima dos partidos e das diferenças ideiais, estão os projectos, estão cidadãos, está a nossa terra!

A movimentação em Rio Maior teve alguns aspectos inéditos, um desses aspectos foi a organização de novas e diferentes candidaturas, para além das organizações habituais (CDS, PCP-PEV, PS, PSD) foram novidade as do Bloco de Esquerda e do MICRM (Movimento Independente do Concelho de RM).

É a sociedade plural e dinâmica a funcionar em pleno!

.........................................
Neste link do "Rio Maior Noticias", estão os resultados de Rio Maior em detalhe:
http://www.riomaiornoticias.com/index.php?news=1497
Neste link é possível ver os resultados do distrito de Santarém, http://www.autarquicas2009.mj.pt/#
E concelho a concelho:
http://www.oribatejo.pt/2009/10/resultados-das-eleicoes-autarquicas-2009-para-santarem/

Info geral em: http://www.eleicoes.mj.pt/
.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Rio Maior - Autárquicas 2009

Já estamos a chegar ao fim da campanha que visa eleger os nossos autarcas. E longa que ela vai… depois duma pré-campanha para as legislativas e da respectiva campanha para as mesmas… logo a seguir e quase sem respirar, vieram as autárquicas! Uma grande marcha, diria eu!
Foi tempo de fazer muitos balanços, das pessoas andarem pelas ruas, mostrarem a sua disponibilidade para a causa pública.
Também eu andei nesta azáfama. Também eu dediquei tempo em favor do bem comum. Digo isto assim, porque na verdade é isso que penso que se trata. Para mim, a política deve ser uma espécie de modo de vida para o bem comum, infelizmente nem todos praticam a doutrina dessa maneira.

Aceitei o desafio…
Foram várias as razões que me levaram a aceitar o convite do Dr. Silvino Sequeira, mas o espírito de fazer política, como ele tem feito ao longo destes anos, foi uma razão de grande peso. Neste caminho, deve-se estar para além dos partidos, deve-se valorizar as pessoas, o seu trabalho e a sua capacidade de resolução e pôr em prática as soluções mais adequadas. Mesmo sabendo bem que ninguém é perfeito, dum conjunto de vários aspectos, estes pesaram muito para que estivesse ao lado do Dr. Silvino.
Daí, ter correspondido ao desafio para participar pela segunda vez numas eleições autárquicas. Evito estar em campanhas doutros níveis e evito conotações a este partido ou àquele, mas no que toca à minha terra quando sinto que posso ser útil não olho para trás. Sigo o meu instinto ao ver e ouvir as pessoas a defenderem para a sua terra as medidas e projectos mais realistas e exequíveis. E sinto-me motivada em participar em movimentos públicos quando assim é.
Não uma mulher da política, identifico-me com os projectos e com as pessoas com capacidade que neles empenham o seu tempo e a sua energia, como tal alinho nesta corrida como independente sem olhar as cores políticas, defendendo e partilhando as minhas ideias e as minhas convicções. Sinto-me grata por ter essa oportunidade.

Listas Jovens Pela Positiva!
Ainda por cima quando constato que ao fim de vários mandatos, o Dr. Silvino continua a mostrar as suas capacidades como bom autarca que é, não só na promoção do crescimento do nosso concelho, como depois de tanta obra concretizada, ainda continua a ter muito trabalho pela frente e acima de tudo sabe como concretizar esse trabalho com qualidade. É um homem dinâmico, como todos sabem, mas sobretudo é um apaixonado pela vida autárquica e desempenha essa função pelo gosto que tem no que faz ou ajuda a fazer.
Um dos aspectos que mais me agradou na sua candidatura foi a respectiva constituição das listas, não tem apenas uma abrangente participação feminina, mas como também tem gente nova e gente jovem. Tirando o Dr. Silvino, que é o cabeça de lista (o nosso “ponta de lança”) à Câmara Municipal, a média dos restantes 13 candidatos é de 34 anos, cada um de variadíssimas áreas e todos eles com provas dadas na sociedade riomaiorense das suas capacidades de realização.

Campanha
As campanhas são de algum modo cansativas, que digam aqueles que todos os dias participam nela. São os folhetos, os cartazes, os programas, as delocações constantes dum lado para o outro… é necessária muita energia e boa vontade!
Bem Hajam os que ajudam para que tudo corra bem!
Mas esta campanha serviu para ouvir muita gente “botar” discurso e nesses momentos damos conta de quem domina ou não os assuntos da terra, ou algum assunto em particular… e foi aqui que durante a nossa "viagem" pelas várias freguesias, que encontrei algumas boas surpresas! Não só na elevação do nível das conversas e dos discursos, sem entrar na politiquice ou maldizer dos candidatos concorrentes, mas em especial a excelente capacidade, não só na oratória de alguns desses jovens, como também no bom domínio de áreas fundamentais, como o turismo, a qualidade de vida, reorganização e requalificação urbana, questões do foro social, etc… Discursos bem estruturados, voltados para as pessoas tanto na cidade como no meio rural. Nota-se uma grande motivação, vontade em ajudar aqueles que mais precisam. Nota-se vontade em aprender com os que já têm experiência deste modo vida em função da nossa terra, e que também estão nas listas. Veja-se pela Assembleia Municipal, em que o candidato é um ilustre riomaiorense, o Dr. Rui Miguel, médico da nossa praça, ligado à medicina do trabalho, mas outrora também ele ligado às freguesias ou ao desporto, tendo sido médico do nosso clube durante vários anos. É uma pessoa de excelente trato, e tal como o próprio disse, conta com amigos em todas as frentes políticas, mas quem o ouviu nesta campanha, ainda ficou a perceber melhor a sua postura perante a sociedade, sem ligar a partidos, mas dando importância às ideias e às soluções próximas. E é deste tipo de pessoas que o Dr. Silvino quer a trabalhar consigo ou ver continuar a trabalhar consigo.
Pessoas com dinâmicas positivas para elevar a cidade de Rio Maior e as suas freguesias para um patamar ainda mais elevado de qualidade. De tal modo que os candidatos que apoia nas freguesias, também se organizaram em função destes critérios, da vontade em realizar, da querer ajudar os outros, motivados para estar na difícil vida pública, em especial numa freguesia onde os recursos são sempre parcos. Daí que na minha freguesia, Alcobertas, Sérgio Nogueira, também ele um jovem, é o líder na lista, pois sentiu que tem condições para dar continuidade à herança da obra feita pelo anterior executivo da junta, liderada pelo Fernando Afonso. Aqui fica o link http://www.jf-alcobertas.pt/ para os que queiram conhecer um pouco mais desta minha freguesia, que nos últimos anos tem oferecido muitas actividades não só aos alcobertenses, mas também aos que nos visitam.

Ainda em relação à campanha e sobre o debate na rádio no passado dia 7, mostrou bem a força do Dr. Silvino, conhecedor das questões, dos problemas e que tem de tal modo tudo articulado que também mostrou que o tempo não era suficiente para expor todas as suas ideias, toda a obra que tem feito e a obra que tem em curso.
Deixo-me abusar das palavras e afirmo que a nossa campanha não tem sido só pela positiva, mas também tem sido uma alegria, onde se têm debatido todo o tipo de questões e problemas.
Nesta campanha foi fácil constatar a exposição sincera de toda a equipa das suas disponibilidades para a “cousa” pública e em especial uma vontade colectiva para que as novas gerações façam da política uma doutrina mais digna e que continuem a construir o concelho de Rio Maior no sentido da qualidade, nas várias vertentes.
Para provar tudo o que acabei de escrever, basta consultar o programa eleitoral da Positiva, que fala por si…
Programa “Sempre Pela Positiva”:
http://www.semprepelapositiva.com/pdf/ProgramaEleitoral.pdf

Estamos todos um pouco exaustos de campanhas, de eleições… é certo que a temporada vai longa, mas temos (devemos) exercer o nosso direito como cidadãos. Por isso no próximo domingo, dia 11, vamos todos votar! Esqueçamos os partidos, as tricas e lembremo-nos das pessoas e dos projectos que defendem, pois é isso que realmente conta.

Viva Alcobertas!
Viva o concelho de Rio Maior!!

Ah... E que as nossas candidaturas tenham o maior número de votos! :)
.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Uma espécie de balanço de "recta final"

Olá a todos, desde Portugal e em casa, que tem sido coisa rara nos últimos tempos!
Resta pouco para o final desta época desportiva.
Este ano, foi-me especialmente complicado em termos desportivos, nomeadamente nas competições de 20 kms. Várias foram as questões fisicas, logo a começar em Rio Maior a 4 de Abril, com problemas nos músculos posteriores da coxa esquerda, e depois mais tarde foi o meu abdómen (ovários). Apenas terminei duas competições de 20 kms, em seis das que me propus a realizar. Mas para além destas competições, também em treino tive vários contratempos, ao ponto de pôr em risco a minha selecção para o meu décimo mundial. A concorrência na selecção nacional é forte, pois temos tido quatro atletas em disputa para os três lugares possíveis, mas com tanto contratempo durante a época, também as minhas armas para lutar por um desses lugares estavam débeis. E após determinada altura já não me deparava apenas com as questões físicas. Também a minha “resistência” psicológica dava sinal de fraqueza, pois ao mínimo problema ou dificuldade que sentia, não respondia da forma que deveria ou como seria normal.
Após o mal-estar na Corunha, a 20 de Junho, cheguei a sentir que a minha viagem até ao Mundial em Berlim estava em perigo, mas ainda tive uma última possibilidade de contrariar a má onda de resultados, que seria em Dublin, na Irlanda, uma semana depois. Parti decidida e determinada, mas jogando pelo seguro, fazendo uma prova muito cautelosa e assim cheguei ao fim com 1h31’37, o que reforçou a minha selecção para Berlim, após se verificar que a Ana Cabecinha estava com dificuldades na sua preparação devido a lesões.
Depois dos Campeonatos de Portugal, no final de Julho, o modo como me senti trouxe-me mais tranquilidade e uma concentração menos tensa para competir em Berlim.
Apesar de saber que o desenvolvimento da época não me deixaria chegar às minhas condições competitivas habituais, mas com a parte final da preparação mais consistente e conseguida, senti que poderia continua a pensar numa luta para entrar no Top 10 no Mundial.
Penso que se notaram bem todos estes aspectos na forma como conduzi a minha prova em Berlim, sem entrar em “loucuras” e a conter o meu espírito competitivo mais aguerrido. Em vez da emoção, joguei muito com a razão, o que não impediu que fosse difícil atravessar a fase dos 16 aos 19 quilómetros. Imenso calor e humidade sentidos naquele dia, tornaram a prova numa espécie de gestão de vários aspectos, desde o esforço físico e emocional, aos abastecimentos, mas em especial aos refrescamentos, o que no final reforçou a minha satisfação: chegar em décimo lugar, no meu décimo mundial, aos 34 anos, depois duma época “chata”. Voltei a sentir o prazer que faz estar no alto rendimento desportivo e o prazer que sinto em vestir a camisola da selecção nacional!
Nesta fase sinto algum desgaste, talvez até mais psicológico que físico, pois estes últimos meses foram muito exigentes, mas o facto de ter tido o resultado que tive e ter sentido à minha volta boa energia de muita gente querida, faz com que a minha motivação ainda esteja em força.
Só falta mesmo disputar a Final do IAAF Race Walking Challenge 2009, em Saransk - Rússia, no dia 19. Para além da alteração das regras do Challenge para 2009 não ter sido feliz em alguns aspectos, às vezes é difícil aceitar algumas decisões superiores sobre a escolha de determinados locais para competições deste nível. É que a viagem que temos de fazer até Saransk, cidade que fica algures, longe e perdida no meio da Rússia, e todo o processo para obter o visto e datas mais certas para ir até lá, têm sido uma verdadeira aventura. Ainda bem que a distância em causa é de 10 kms e não os habituais 20, pois se assim não fosse, seria penoso e muito difícil chegar a Saransk em boas condições físicas para uma disputa que se adivinha muito forte!

Susana Feitor

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Tá quase na hora... do 10º!

Hallo, wie geht es Ihnen?

Direkt aus Berlin...

Já cá estamos em Berlim, a maior parte da equipa chegou ontem ao fim do dia.
Estamos num hotel enorme na zona sudeste da cidade.
A envolvência este ano quase se parece a uns Jogos Olímpicos, é que vão ser batidos muitos recordes, em especial os de participação, a começar na nossa equipa, com 30 atletas.
Hoje realizámos um treino de relax pela manhã, num parque belíssimo, aqui perto do nosso hotel. Um treino luso-brasileiro, pois para além da maioria dos marchadores portugueses, também estiverem marchadores brasileiros.
O ambiente tem sido descontraído e agradável, amanhã começam as competições, apesar do forte espírito de equipa que paira entre todos, depois cada um terá o seu respectivo ritmo diário.
A minha prova será no domingo às 12h, depois de tantas previsões climatéricas, a única que sei é que será igual para todas as concorrentes e será num local histórico.
O meu ânimo é tranquilo e confiante, pois apenas tenho em mente fazer o meu melhor.
Sinto que já não tenho a frescura de outros tempos, em especial porque tive uma época complicada, mas sinto a vontade, a garra e a alegria por estar aqui, por isso quero desfrutar da melhor maneira estes 20km, que se prevêem muito competitivos. Tal como já disse várias vezes, num campeonato do mundo como este, existe um lote de 14-16 marchadoras, em que qualquer uma delas pode disputar os lugares da frente e penso que nós, portuguesas, estamos nesse lote.
Espero estar nessa disputa e lutar por um lugar no Top-10 ou por aí perto…
....Hum!… Seria fantástico!
Em mim habitam pensamentos positivos, mas sem esquecer que no desporto de alto rendimento é sempre tudo possível. Por isso todos os resultados que conquistar acima dessas minhas expectativas, serão um excelente reforço do prazer que sinto em estar numa competição destas.
Cá estou eu a dar início à minha décima participação num Mundial… Como o tempo “foge”!!

Desejo a todos que desfrutem duma boa semana de atletismo ao mais alto nível... seja no estádio, ou na zona da Brandenburger Tor (para os cá estão!), ou desfrutem pela televisão, pela rádio, pelos jornais, ou pela internet…
Apenas e só, que desfrutem deste espectáculo mundial!

Viel Glück Team Portugiesisch

Auf Wiedersehen

Susana Feitor

terça-feira, 21 de julho de 2009

Adeus a St. Moritz

Hallo!

O tempo realmente voou e já estou quase de regresso a Portugal para finalizar esta etapa.
Desde a semana passada muito se passou por cá, nomeadamente com o clima! Já sabemos que anda estranho um pouco por todas as partes do mundo e aqui não foi excepção. Tivemos dias de 20 graus com sol fantástico, dias com ventanias difíceis de aguentar, e durante o fim-de-semana, quando fizemos o treino longo, ficou tanto frio que vi pela primeira vez neve em St.Moritz!
O que vale é que por aqui, qualquer que seja o tempo, é sempre muito bonito e tudo é motivo para uma fotografia!
Também foi no fim-de-semana passado que o "Team Platzer" regressou à Noruega e na última noite da sua estadia juntámos um grupo simpático de vários atletas e treinadores de diferentes nacionalidades e fomos jantar aqui ao lado, a um restaurante gerido por portugueses. Desde então tenho estado a viver num pequeno estúdio, com a mesma vista lindíssima para o local de treino.
Em estágio, como já vem sendo habitual, o treino mais intenso faz-se pela manhã. Nos meus tempos livres, nomeadamente à tarde e depois de jantar, para além da sesta reparadora, tenho aproveitado para ler, ouvir música e caminhar por St.Moritz.
Em relação ao treino, o balanço que faço neste momento é positivo. O objectivo principal era reforçar a base e foi conseguido. Esta fase terminará em Portugal com os 10 000 metros dos Campeonatos de Portugal, no próximo sábado. A prova vem mesmo no momento certo para treinar e puxar o ritmo competitivo. Depois daremos inicio a duas semanas focadas em melhorar esse mesmo ritmo.
Amanhã já será dia de voltar a arrumar a mala para seguir viagem no dia seguinte bem cedo.

Susana Feitor

quarta-feira, 15 de julho de 2009

St. Moritz: o treino de hoje e a vida em família

Hallo alle zusammen!


Cá estou eu mais uma vez pelas alturas, a 1800 metros de altitude, em St. Moritz (Suiça).
Já vou a meio da estada... o tempo voa!
Apesar de tranquilidade que reina no local, confesso que no inicio estava menos tranquila, devido à incerteza sobre Berlim, mas muito satisfeita por estar aqui. E depois das boas notícias que recebi do Prof. José Barros, sobre a pré-selecção para o meu décimo mundial, a minha concentração continua grande, mas menos preocupada e feliz. Basta-me continuar a treinar com grande empenho, a recuperar bem e seguir em frente até à Brandenburger Tor!
Tal como em anos anteriores, estamos alojados no edifício Residenz Am See. Estou a viver estes dias no mesmo apartamento da família Platzer, no verdadeiro sentido da palavra família, o que é muito agradável. Mas divido as refeições entre comida portuguesa, dos grandes "chefes" Inês Henriques e Sérgio Vieira, e a comida internacional do “Team Platzer”, o que tem tido a sua piada!
Até agora, em termos de treino, estamos a reforçar a base para os 20 Kms. Os treinos fazem-se essencialmente à volta do lago, com uma vista e um ambiente muito agradáveis. Temos contado com a companhia de atletas de vários países. De Portugal à Suíça, passando por Noruega, Alemanha, México, Austrália, Lituânia, Eslováquia, Finlândia e Brasil, só para citar a maioria.
Entre os treinos mais exigentes está o que fizemos hoje. Foram 8x2km com 1km de intervalo. Estou satisfeita, foi exigente, mas foi muito produtivo.
Vamos continuar nesta fase com a mesma filosofia de treino, que terminará nos 10 000 metros dos Campeonatos de Portugal, dia 25, no Seixal.
O tempo esteve frio e ventoso nos primeiros dias, mas esta semana melhorou e aos poucos estamos com o clima que St. Moritz nos habituou.
Cumprimentos de 1800 metros.

Susana Feitor

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Rumo à conquista do passaporte para Berlim

O inicio do ciclo de três semanas rumo aos 20 kms em La Coruña, a 20 de Junho, foi atribulado de tal modo que tive de passar nas urgências do Hospital de São José, onde fui muito bem atendida.
Após a viagem a França, o regresso foi uma continuação no que ao meu abdómen dizia respeito. As dores não só continuaram durante toda a semana, como aumentaram ao ponto de me impedirem de treinar o planeado durante o fim-de-semana, por isso tive de fazer a tal deslocação ao hospital, pois o volume abdominal tornou-se grande e acompanhado duma dor demasiado desconfortável. Felizmente, ao longo do dia de segunda-feira fui melhorando e na terça já consegui retomar o treino de marcha.
A semana foi avançando com muita calma, tivemos de fazer algumas adaptações no plano de treino, mas nada que me desconcentre do objectivo em causa.
Na sexta-feira, dia 5, rumei até ao Algarve, precisamente ao Pechão, para participar nas comemorações dos 60 anos do Clube Oriental de Pechão (30 anos de atletismo), clube de Ana Cabecinha e do treinador Paulo Murta. Entretanto, no fim-de-semana cumpri o treino maior destas três semanas até ao dia 20.
Habitualmente quando realizamos os nossos treinos de marcha fora do Estádio Municipal de Rio Maior, “circulamos” pelas estradas que vão desde a pista até às Marinhas do Sal, Cidral e ciclovia. Temos essa zona medida a cada 500 metros e é por aí que habitualmente nos podem ver a marchar e às vezes a correr. As pessoas que também frequentam essa área, a pé ou de bicicleta, em especial para fazerem o seu exercício físico, já estam habituadas à nossa presença, mas alguns automobilistas mais apressados preocupam-nos. Apesar da maioria estar habituada a encontrar-nos pelas estradas de Rio Maior, às vezes circulam uns quantos mais descuidados com os peões e conseguem transformar alguns metros do treino numa verdadeira aventura. Mas este fim-de-semana fui até um circuito diferente: a estrada que vai da N114 em direcção a Santa Suzana. O bom piso e o pouco trânsito fazem desta zona um local fantástico para treinar, só que, mesmo aqui, os automobilistas continuam a ser uma preocupação.
Em relação ao último treino da semana, foi uma sessão dura, mas fiquei satisfeita, pois cumpri o objectivo pretendido. Fiz uma volta maior de 12 kms a ritmo aeróbio e depois os restantes 10 kms numa zona medida, a cada 500 metros, a ritmo progressivo para terminar rápido.
Ainda ontem, ao fim do dia, fui cumprir o meu dever como cidadã e fui até à minha junta de freguesia votar para a eleição para o parlamento europeu.
E hoje damos inicio à segunda semana rumo a La Coruña…

Susana Feitor

sábado, 30 de maio de 2009

Objectivo: Berlim (com passagem pela Corunha)

Esta época, como já disse várias vezes, está a ser um caos competitivo, pois não tenho conseguido mostrar em competição o que produzo no treino. Agora que no calendário da marcha atlética passámos a Taça da Europa, a primeira fase importante do ano, um dos meus objectivos seria o de “arrumar” a minha selecção para o mundial e não foi conseguido!

A Inês Henriques e a Vera Santos estão como pré-seleccionadas e o terceiro lugar na equipa para o Mundial de Berlim fica por decidir entre mim e a Ana Cabecinha. Não deixa de ter o seu lado interessante e irónico, pois vamos assistir a uma disputa entre a "ex" e a actual recordista nacional dos 20 Kms femininos.
Aceito o desafio… Objectivo – Motivação – Trabalho - Concretização!
A Ana só pode esperar de mim uma disputa leal, pois é assim que eu sou! Mas também pode ter a certeza que ficarei satisfeita com a minha selecção ou a sua. Vou trabalhar forte para ser a seleccionada e se for a Ana a conseguir a selecção, só significa que quem fica a ganhar, não é apenas a que de nós for mais rápida no dia 20 de Junho, mas sim Portugal, pois vai ao Mundial a que estiver mais forte.
Vou aproveitar para me refrescar de pensamentos positivos, preparar-me como uma guerreira, que vai para a luta. Coloco a Corunha à minha frente, não a cidade, mas cada quilómetro dos vinte que terei de percorrer para obter o “visto” para Berlim.

No http://www.susanafeitorg.blogspot.com/ pode acompanhar, a par e passo, o que se vai passar comigo nas próximas 3 semanas…
TARGET: XXIII Gran Premio Cantones de La Coruña!

Susana Feitor
.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Zangada ou Desolada... Nem sei!... Por agora é preciso continuar, isso eu sei!

Esta época tem sido um caos competitivo.

Tive um inicio tardio e tenho treinado com altos e baixos, como é habitual em qualquer preparação, mas à excepção da competição em Ibiza, a 28 de Março, nesta época ainda não consegui concretizar em competição o que tenho vindo a produzir em treino.

No ano passado, nesta altura tínhamos estado a preparar a Taça do Mundo na Rússia e, apesar de ter tido boas prestações no Campeonato Nacional (campeã com 1h29'31'') e depois em Abril, em Rio Maior (2ª com a mesma marca), o que é certo é que antes da Rússia tive doente, com gripe, e não fui nas melhores condições. Foi uma fase complicada na preparação, mas o esforço resultou num 10º lugar com 1h29'38.

Este ano pouco a pouco tenho vindo a subir, com alguns contra-tempos, que mais ou menos vou conseguindo controlar. Mas no treino tenho vindo a subir gradualmente ao ponto de me encontrar melhor que no ano passado na mesma altura, pelo menos todos os indicadores vão nesse sentido.Só que por uma lesão ou outra (uma na face posterior da coxa em Abril, em Rio Maior, outra na zona abdominal que primeiro deu sinal em Itália), o que é certo é que não tenho sido capaz de demonstrar em competição a marca que sinto ser capaz de fazer.

É mesmo revoltante, chegando a causar uma zanga cá dentro que não me é nada habitual. Pois o tempo vai passando e as oportunidades de justificar o nosso trabalho e o nosso empenho também vão passando.

Este domingo, Metz marcou dum modo muito agressivo a maioria dos atletas da selecção nacional. Nenhum dos atletas que ficaram longe dos seus objectivos, treina tanto e se empenha tanto, para que as contas saiam assim "tão furadas"... podemos apenas pensar que o desporto de alta competição é mesmo assim... e é! Mas tanto? Bolas, até parece mentira!!

O dia estava muito quente e húmido, mas não era por isso que qualquer atleta iria modificar o seu objectivo. Adapta-se a estratégia e a táctica, nada mais. E foi o que fiz!

Senti-me bastante bem no aquecimento, apesar dos habituais desconfortos abdominais (são raras as excepções que não sinto isso). Pensei bem como seria a minha história e a maneira como me iria impor, em primeiro a mim e depois às demais atletas. Olhei em redor e estava a sentir algo similar ao que senti em 2008 a 21 de Setembro na final do Challenge, em Murcia. Se o meu resultado individual me satisfizesse, iria compor bem o grupo português, bastaria que as 4 tivessem uma prestação "normal"...

Decidi esquecer as adversárias, concentrar-me na equipa e fazer a minha prova... à Susana Feitor! E isso é o quê? Simples... estar tranquila, esquecer os incómodos (físicos ou psicológicos), partir decidida, mas muito descontraída, desfrutar e apenas dar importância à frequência cardiaca/ritmo e abastecimentos. O resto que não depende de mim, como por exemplo as adversárias... deixar ir.

O meu empenho é sempre o melhor que posso, mas como se trata duma competição colectiva, mesmo em situação extrema de incapacidade penso sempre em ir até ao fim ou até não aguentar, pois nunca se sabe o que pode acontecer e uma prestação por mais pobre que seja pode ser altamente relevante para a pontuação do grupo.

Ao tiro da partida e depois de carregar no relógio lá fui. Saí bem, a controlar as variáveis que me são possíveis de o fazer... o ritmo ia bom, abastecimento também bom... senti que poderia impor um esforço para passar aos 10 kms entre 45'15 e os 45'45, para depois aguentar e dobrar a segunda parte. Tudo correu assim... mas apenas durante os primeiros 5 kms.

De um momento para o outro, senti novamente a zona direita do meu abdominal a incomodar... de imediato abrando! Mas ao contrário do que se passou em Itália, desta vez parar não alterou nada, a dor foi permanente. Na passagem pelo abastecimento pedi gelo, pois podia ser que ajudasse a aliviar... mas nem por isso ajudou muito. Parei várias vezes para descontrair.

Entretanto podia ir assistindo à disputa da Inês Henriques e da Vera Santos, que na frente iam discutindo com as russas os lugares no pódio. Mas quando fui ficando para trás, a Ana Cabecinha, também cada vez mais atrasada por problemas físicos, apanhou-me e entre nós pairava o sentimento que pela equipa tinhamos de continuar até onde fosse preciso. Ainda por cima, a avistarem-se dois possíveis lugares no pódio para a Inês e para a Vera, significaria que no colectivo tudo seria possível.E foi esse sentimento que nos foi alimentando o esforço ao longo dos restantes quilómetros, cada vez que via a Ana, gritava-lhe que não podíamos desistir e ela respondia que não sabia se aguentava, mas ia conseguindo ir... tínhamos de aguentar e chegar ao fim!

Tive de deixar passar muita gente. Já não conseguia reagir a nada, não que estivesse cansada, pois nem o calor me desgastou, mas a limitação física tramou-me!!Após os 14 kms vi a disputa acesa entre as nossas atletas na frente, senti que mais uma vez poderíamos fazer uma boa classificação colectiva, mas a minha atenção começava a ficar cada vez mais na tentativa de relaxar o meu abdómen para chegar à meta.

Sempre que podia gritava para as minhas colegas manterem a cabeça fria e terem calma pois ainda tínhamos 6 kms pela frente e controlar seria a palavra de ordem. Nisto, a Vera queixa-se que lhe mostraram a raquete vermelha, mas que não parou, pois não viu as três faltas necessárias no quadro. Limitei-me a concordar, para que seguisse, às vezes ocorrem falhas... mas não era falha alguma! E o pior é que a Inês também "levou" faltas... Tanto a Vera como a Inês tiveram as três necessárias faltas para a indesejada raquete vermelha da desclassificação... e antes dos 18 kms ambas foram desqualificadas por faltas técnicas, de suspensão e flexão.

Assim que me apercebi do sucedido, só me apeteceu chorar. Bolas! Não conseguia acreditar. Logo as duas??!! Parecia brincadeira de mau gosto, mas era verdade!

Tanto sacrifício, mas tanto... e estava a custar-me tanto ir até ao fim. Correu-me o sangue quente nas veias, engoli em seco e decidi parar, pois o que me estava a carregar até à meta não era o meu valor pessoal/individual, mas apenas e só nosso valor como grupo!

Tristeza e revolta apoderou-se de todas nós! Nada nem ninguém poderia alterar fosse o que fosse!

Enfim... a Alta Competição é mesmo assim... todos sabemos!

É com sucessos e desaires que se percorrem os caminhos.

Mas o vencedor não é só aquele que chega em primeiro lugar à meta... acreditem... é também aquele que depois de cair consegue levantar-se!

Em frente é o caminho... e é preciso seguir!!
Susana Feitor

sábado, 23 de maio de 2009

"Tudo pode acontecer"

A menos de 24 horas de cumprir mais uma internacionalização com a camisola de Portugal, Susana Feitor fala das suas perspectivas para esta Taça da Europa. "Tudo pode acontecer a nível individual. Penso que tecnicamente estou a marchar regulamentarmente muito bem, em termos físicos estou na fase melhor desta época e um pouco melhor que no ano passado na mesma altura", diz a marchadora. Sobre a lesão que este ano já a obrigou a desitir numa prova e a condicionar o resultado noutra, Susana acrescenta que "está bem controlada, apesar de me doer um pouco quando ando rápido durante muito tempo. Nao será por ai que serei impedida de dar o meu melhor à selecção", assegura. Sendo a atleta mais experiente do grupo, Susana Feitor acredita também no excelente momento das companheiras de Taça da Europa, que se mostram todas empenhadas em trazer o melhor resultado possível para Portugal.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O valor das Taças

A marcha portuguesa tem vindo a mostrar um bom valor colectivo ao longo dos anos. Se há 10-15 anos era muito à custa do desempenho individual de alguns atletas, agora os valores aproximaram-se, em especial no feminino, e o desempenho colectivo é sempre aguardado com expectativa. Na Taça da Europa já atingimos o ponto mais alto do pódio em 2005, em Miskolc (Hungria), na qual tive uma participação muito gira, das que mais me orgulha, pois fui 2ª (Prata) com 1h29'01''.
A última edição foi em 2007, em Leamington (Inglaterra), e mais uma vez os resultados foram de grande valia: 20kms Femininos - 4º lugar; 20kms Masculinos - 5º lugar; 50kms - 4º lugar. Recordo bem a minha sofredora prestação, pois estava a passar por uma fase menos boa, mas não podia deixar de dar a minha contribuição à selecção nacional e consegui um 14º lugar com 1h31'28''.
Pena que pouca gente valorize os resultados que os nossos atletas têm nestas competições. Falo da Taça da Europa, mas também da Taça do Mundo. São competições de marcha com um nível competitivo superior a qualquer Campeonato da Europa ou do Mundo, pois ao serem competições colectivas, cada país pode levar para cada prova até 5 atletas no caso da Taça do Mundo, e até 4 na Europa, enquanto que nos Campeonatos da Europa ou do Mundo cada país apenas pode levar até 3 atletas por prova. O que significa que potências como a China, a Rússia, Bielorrússia, Japão, Espanha ou Portugal levam um lote maior de atletas e todos eles podem disputar os lugares da frente. É claro que um Campeonato tem uma dimensão promocional muito superior que uma Taça, mas não devemos esquecer que a prestação das nossas equipas é de uma qualidade igual ou superior a qualquer Campeonato com classificações colectivas.
Não seria nenhuma injustiça reconhecer o valor que estas competições têm e serem-lhes atribuídos os prémios que o Governo consagra legalmente para as medalhas conquistadas colectivamente (como acontece por exemplo no Crosse) pelos nossos atletas nas Taças da Europa e do Mundo de Marcha.

Susana Feitor