O Clube de Natação de Rio Maior deu os seus primeiros passos no final dos anos 80, tal como eu, no atletismo e após todo este tempo, decidi tornar-me individual.
Foi uma decisão muito dificil, não foi precipitada, mas amadurecida nos últimos tempos.
A minha decisão...
Várias foram as razões me levaram a que esta decisão se tornasse mais certa no meu íntimo a cada dia que passava, e quanto mais reflectia sobre o assunto, mais se tornava claro a minha decisão.
Coloquei em causa de um modo especial a minha ligação emotiva ao clube, a sua dinâmina (ou a falta dela), quanto mais reflectia sobre a complicada gestão do CNRM, e nomeadamente da secção de atletismo, a qual também ajudei... mas mais distante me sentia.
Ao mesmo tempo também reflectia na minha impossibilidade em conseguir contribuir para ajudar a mudar esse cenário, uma vez que para mim essa seria a primeira hipótese, já que estando descontente com a situação, poderia ajudar a mudar, mas neste momento não me é possível de todo.
Por outro lado a minha ligação ao Jorge Miguel, figura do atletismo riomaiorense, impulsionador da modalidade de corpo e alma, meu colaborador nestes ultimos anos, contribuiu para esta decisão, uma vez que há alguns anos para cá que não trabalhamos com a mesma pujança e dinamismo de outros tempos.
Tudo isto me cria uma grande instabilidade emocional e um stress estranho, o que me tem levado a sentir cada vez mais afastada da mistica do clube e resultou neste cenário, ou seja tornar-me individual.
É o desfecho mais lógico neste momento e já que há algum tempo para cá amadureci o assunto, pesei mais o futuro que o passado, que foi importante e relevante na vida CNRM... talvez por isso a minha exigência em relação à sua gestão e dinâmica, também seja grande.
E agora?...Continuo a representar a minha terra, continuo junto dos miudos e dos graúdos. Mesmo que me transferisse para outro clube qualquer, Rio Maior é uma representação intrínseca, é de coração, é uma ligação umbilical.
Sou de Alcobertas - Rio Maior - e para mim isso está acima de qualquer clube que possa representar ou filiar, mas também quero reforçar que esta minha decisão não tem qualquer conotação politica ou financeira, para mim são outros valores que me guiam a vida e não me podem faltar: o carinho, o apoio, o respeito, o reconhecimento das pessoas, são os que fazem a diferença... e se ainda por cima puder ganhar melhor na vida, tomo isso com gratidão!
É que isto de não representar um clube, não muda a minha atitude, continuo a ser a Susana de sempre, disponível para promover o desporto, nomeadamente o atletismo e em particular a marcha atlética.
Estou sempre disponível para promover os bons hábitos de vida e a prática da actividade fisica em geral, tal como os valores olimpicos, em especial junto dos mais novos. Continuo a ser uma defensora do equilibrio da alta competição com o desporto generalizado, pois uma vertente só faz sentido com a existência da outra, nomeadamente em Rio Maior com as condições de infraestruturas que a cidade oferece.
Surpresa de última hora... o Benfica!
Só que na fase final deste processo, e quando me proponho para oficializar a minha condição de individual na AAS, a noticia espalha-se e aparece o interesse do SLBenfica em contratar-me para o seu Projecto Olímpico. Mas não se concretizou...
Aponto duas razões, a primeira, e principal, que levou a que a segunda razão fosse muito relevante, foi porque tudo se processou dum modo quase espontâneo, rápido e de ultima hora.
O interesse do SLB só se revelou concreto no final do dia 29, em especial porque eu também não procurei outro clube para representar, mas assim que o SLB soube da minha vontade em me tornar individual, e só no dia 29 de setembro, ficaram mesmo muito interessados. Mas a verdade é que não houve tempo para negociar com calma a transferencia.
A segunda razão (e não menos importante que a primeira) da minha não entrada nos planos do SLB, foi que o CNRM, nomeadamente a secção de atletismo, não foi flexível a negociar, uma vez que não aceitaram a oferta do SLB. Este disponibilizava através da Benfica TV, a promoção durante a época de 2010/2011, a cidade de Rio Maior, o complexo desportivo, o clube, os jovens do clube, a Camara Municipal, etc.
Respeito a vontade da maioria das pessoas do clube, apesar de saberem que nunca exigi nada ao CNRM, que nunca me pagou um tostão para o representar e antes pelo contrário, pois também contribuí para que fosse beneficiário, tal como foi nos apoios financeiros vindos pela conquista das minhas medalhas ou pela minha integração no projecto olímpico.
Devo frisar que durante estes anos os apoios que recebi foram externos, nomeadamente da autarquia, como embaixatriz do desporto de Rio Maior, e da NOBRE (o qual repartia com o meu treinador Jorge Miguel), isto para "aliviar" a gestão financeira da secção de atletismo e garantir a minha manutenção.
Assim passei a individual e a secção nem recebe qualquer compensação pela minha saída, nem qualquer promoção por parte do SLB pela minha tranferência.
A questão é que na hora da minha opção, algumas pessoas não facilitaram e limitaram a minha escolha, apesar de entender que foi tudo em cima da hora, mas não sou menina de guerrinhas, nem de rancores... Se nunca criei problemas ao CNRM, também não o farei agora.
E assim no dia 30 de setembro de 2010, inscrevi-me na AASantarém, na nova época de 2010/2011, como individual, rumo a grandes objectivos, em especial aos nacionais e internacionais, mesmo que, tal como antes, tenha de sacrificar as competições mais locais.
Agora vou trabalhar para a manutenção no Projecto Olímpico de Portugal e lutar pela qualificação para o Mundial de Atletismo do próximo ano.